Está nascendo um novo jeito de fazer política, baseado no respeito ao meio ambiente

Desenvolvimento-Sustentável-Uma-Necessidade-2Se existe algum consenso sobre a crise ambiental atual, é a de que ela é antes de tudo uma crise civilizatória, e não está baseada apenas na perspectiva de uma revisão do modelo de desenvolvimento capitalista e suas consequências. É uma crise mais ampla que atinge outras esferas das relações sociais.

Apesar da palavra crise soar com algo ruim, como uma destruição, uma incerteza que assola a humanidade, é preciso pensar que, sempre podemos tirar algo positivo das situações adversas.  Um dos reflexos da crise ambiental/civilizatória é o aumento das discussões sobre as questões ambientais, nesse sentido, poderíamos até dizer que a Geração Y é uma geração ambiental.

Mas esse não é único reflexo positivo da crise que vivemos, este ano vimos em diversos países a sociedade indo para as ruas lutar contra a ditadura, e contra governos autoritários. Em outros países, as ruas foram palcos de protestos por direitos iguais, por mudança em sistemas econômicos e até culturais.

No Brasil, começamos a identificar uma crise dos partidos políticos, ou melhor, uma crise no sistema político. O ex- presidente Fernando Henrique Cardoso disse há algum tempo em uma entrevista, que os partidos políticos estão se distanciando cada vez mais da vida real dos brasileiros, deixando de representar os pensamento e os anseios dos seus eleitores.

Prova disso, é a aprovação do Código Florestal na Câmara dos Deputados, por motivos que são altamente dúbeis. Deputados eleitos para representar a vontade do povo, mas que não o fizeram, porque cerca de 80% da população é contra a aprovação do texto do Código Florestal.

Durante um debate sobre política ambiental em Berlim, Marina Silva disse que a crise política pede um novo jeito de fazer política. Nas palavras da ex-ministra: “para onde olhamos, vemos que a linguagem política suscitada pelo socialismo e pela revolução francesa ficou defasada, e que algo novo pode estar surgindo, que não foi transformado ainda em palavras e em estrutura”.

Por ser uma ideia nova (ao menos aqui no Brasil) que se articula em ações desconexas, esse novo jeito de fazer política ainda não pode ser definido num conceito, mas é inegável que se configurar como uma política nascida do meio ambiente, de uma complexidade ambiental, que institui uma revolução do pensamento, uma construção de uma nova ética,  de uma política que represente as ideias e as lutas, e os anseios de sua sociedade.

O momento, e até mesmo a ideia de reformulação política pode assemelhar-se a outros momentos históricos, mas acredito que este é um momento único na história da humanidade, pelo fato que este é um movimento que se configura sem líderes, sem alguém para adorar, é um movimento emergente, espontâneo, e como qual deve baseá-se no diálogo de todos os vieses da sociedade, e dessa com o meio ambiente.

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