Dilma avalia trocar candidatura ao Senado pela Câmara para “puxar votos” ao PT


Problemas com o aliado MDB, que em Minas Gerais está junto com os petistas e quer lançar candidato próprio ao Senado, também empurram a ex-presidente para concorrer a uma cadeira de deputada

Gazeta do Povo – A anunciada chegada de Dilma Rousseff ao cenário político mineiro, com a transferência de seu domicílio eleitoral para Belo Horizonte, ouriçou a sucessão no estado. A pretensão de setores do PT em lançá-la ao Senado, porém, criou suscetibilidade com os aliados. Principal parceiro dos petistas em Minas, o MDB está sentido com essa novidade. O “fator” Dilma pegou todos de surpresa.

É muito improvável que PT e MDB não sigam juntos no estado. Um precisa do outro. São duas grandes máquinas. O PT tem o governador Fernando Pimentel e o MDB a estrutura gigantesca espalhada em centenas de cidades mineiras, com controle de muitas prefeituras. A ausência do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Adalclever Lopes (MDB), da cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência, uma das maiores condecorações do estado, foi encarada como um recado da insatisfação.

Candidatura de Dilma à Câmara evitaria atritos com o MDB em Minas

Mas o PT pode não esticar essa corda com o velho aliado e trabalha com a ideia de Dilma sair candidata a deputada federal. Assim, não criaria arestas com o MDB, que quer lançar seu candidato ao Senado; como possível “puxadora de votos”, Dilma ajudaria não só o PT mas o MDB a eleger uma bancada representativa. No partido, ela se juntaria ao ex-prefeito de Belo Horizonte e hoje deputado federal Patrus Ananias como a linha de frente do partido para a Câmara.

O MDB quer lançar Adalclever Lopes para o Senado. Apesar de serem duas as vagas para senador, o partido entende que o PT não deve lançar Dilma, que atrapalharia os planos emedebistas, que querem os petistas também concentrados na campanha de Adalclever.

Na quinta-feira (26), Adalclever, como presidente da Assembleia de Minas, autorizou o início do processo de impeachment contra o governador petista Fernando Pimentel – o que foi interpretado como um recado de sua insatisfação com a possível candidatura de Dilma.

Até o aliado histórico PCdoB não gostou da possibilidade de Dilma disputar o Senado. A deputada federal comunista Jô Moraes sonha com uma das vagas e já manifestou contrariedade com a petista atrapalhando seus planos.

Governador Fernando Pimentel manteve PT e MDB unidos em Minas

Quem comanda as negociações do PT no estado é o governador Pimentel. Foi ele que manteve o PT e o MDB unidos em Minas no auge do impeachment de Dilma e na última eleição municipal, em 2016.

Apesar de o MDB se preocupar com a “concorrência” de Dilma, faltam nomes de peso no estado na disputa ao Senado. Os figurões da política mineira, até o momento, acenam para outro lado. Pimentel vai tentar a reeleição. O ex-prefeito da capital mineira Márcio Lacerda (PSB) também quer tentar o governo, assim como Antonio Anastasia (PSDB), que se elegeu senador em 2014 e seu mandato termina só em 2022.

Candidatura de Dilma ao Senado é vontade de Lula

A candidatura de Dilma não é uma convicção e uma vontade pessoal da ex-presidente, mas uma insistência do PT nacional, que reverbera a voz do ex-presidente Lula. O petista acredita que a colega se elegeria com facilidade e isso seria uma resposta ao eleitorado após o processo de impeachment.

Caso a chapa petista opte por Dilma ao Senado, o PSDB defende que Aécio dispute o cargo contra ela – o que seria uma polarização. Mas, com Dilma ou sem Dilma na disputa, o nome do tucano perdeu força desde que Aécio virou réu no Supremo Tribunal Federal por corrupção e obstrução de Justiça no caso JBS, em 17 de abril.

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