Crítica: IO



 

Margaret Qualley em IO. Foto: William Gray / Netflix

Em anúncios promocionais, a Netflix descreve seu mais novo filme original, IO, como uma ficção na Terra “pós-cataclísmica”. É uma descrição apropriada – em algum lugar entre a calamidade e o apocalipse completo – para um filme que não sabe bem o que quer ser. Medido e sedado demais para um thriller pós-apocalíptico, mas muito estéril para um épico de viagem no tempo ao melhor estilo de Christopher Nolan. IO parece mais semelhante a Perdido em marte (The Martian), pois se concentra principalmente na coragem e desenvoltura de uma pessoa para sobreviver sozinho e cultivar plantas. Sim, isso mesmo.

A Terra em IO é implacável. Devastada, repleta de cidades abandonadas e decadentes. Depois que “uma mudança inesperada na composição da atmosfera” ou sufocou os humanos ou os levou ao espaço. A maioria dos humanos sobreviventes reside em uma estação espacial orbitando IO, a mais íntima das luas de Júpiter (também o nome de uma das amantes mortais de Zeus. É a primeira pista de que o filme despejará a mitologia grega em várias outras cenas).

Todos deixaram a Terra, com exceção de Sam (Margaret Qualley de The Leftovers e Death Note), filha de um cientista que meticulosamente mantém abelhas e estuda genética sozinha no topo de uma das poucas bolsas de ar da Terra. Sam preenche seus dias com dados, e-mails para seu namorado residente em IO (chamado Elon) e viagens ocasionais para a Zona; uma cidade abandonada, acessível apenas por veículos e máscara de oxigênio. Embora ela veja o “evento cataclísmico” como “apenas nosso planeta desesperadamente tentando sobreviver, nos expulsando”, Sam está firmemente comprometida com a Terra; apesar da insistência de Elon que sua amada embarque no último ônibus Exodus para IO, ela está ligada ao planeta silencioso.

Isso tudo começa a mudar após a inesperada chegada de outro sobrevivente solitário, Micah (Anthony Mackie, de Os Vingadores).

Anthony Mackie em IO. Foto: William Gray / Netflix

Isolados e esperançosos. Marcados por anos-luz de saudade, amor e perda.

Sam e Micah desenvolvem uma ligação cuidadosa, revelando um filme alternadamente empático e incoerente. Longos olhares, música clássica, paisagens e meditações sobre a mitologia grega abruptamente se chocam com tempestades, rajadas de raiva que dobram à medida que a informação cai e provoca tensão sexual. Mas a relação entre Sam e Micah tem sua própria gravidade genuína, mesmo que o filme nem sempre saiba em que mundo quer estar e quais são seus parâmetros.

Sobre esses parâmetros – O orçamento dado pela Netflix resulta em algumas cenas verdadeiramente decentes, mas outros momentos deixam dúvidas sobre a verossimilhança do cataclismo. Por exemplo, supostamente acreditamos que a névoa sufocou a Terra tão rapidamente a ponto de deixar as taças de vinho manchadas de vermelho nas mesas dos restaurantes, mas os outdoors anunciando o Êxodo marcam as estradas vazias. Quem teve tempo de colocá-los lá?

Todas essas inconsistências podem não ser tão grandes. No entanto, o filme inteligentemente mantém a história bem perto de Sam e Micah. Qualley, como Sam, são olhos arregalados e não muito mais que isso; ela não tem a presença firme como a de Jennifer Lawrence em Jogos Vorazes, mas dá certa profundidade à determinação de Sam, mesmo que sua lógica não seja clara. Mackie, como Micah, traz a seriedade e voz profunda para um papel preguiçosamente escrito. Juntos, especialmente quando confrontados com probabilidades tóxicas, os dois podem ser convincentes.

Mas isso não desconsidera totalmente o filme, cujo orçamento de produção, elenco relativamente reconhecível e total comprometimento com reviravoltas no enredo, fazem dele uma obra que tem a sua mensagem. Embora que por alguns momentos seja confusa, ela está lá. Gerando ao final, interpretações e sensações diferentes em cada pessoa.

NOTA: 5/10

levitis

Graduando em Jornalismo, apaixonado por culturas, fotografia, cinema, música e (quase) todas as artes. Em uma constante jornada de descobertas e aprendizados. Vamos juntos!

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