Crítica: Green Book

Olá pessoal, hoje e a amanhã, trarei meus últimos 2 filmes favoritos para ganhar o Oscar (que será amanhã a noite).

Pra quem vai a sua torcida?

Duração: 130 minutos 

Victor Hugo Green escreveu a primeira edição do The Green Motorist Green Book em 1936, concentrando-se na cidade de Nova York. O livro trazia críticas e informações sobre hotéis, restaurantes e serviços que recebiam clientes negros. Foi muito bem sucedido. Ele expandiu-o para cobrir todo o país, contrariando a segregação, uma parada por vez. 

Mahershala Ali (Dr. Don Shirley) e Viggo Mortensen (Tony Lip) estrelam Green Book. Imagem por: PATTI PERRET

A introdução de Green na primeira edição dizia: “Haverá um dia em algum momento no futuro próximo, que pensaremos que esse livro nunca foi necessário em ser publicado. É quando nós, como raça, temos direitos e privilégios iguais nos Estados Unidos”. 

Eu acho que isso depende de como você define o futuro próximo. A raça ainda é a principal falha na vida cultural americana, especialmente em Hollywood, onde cineastas negros lutam pela igualdade há mais de um século. Pantera Negra se tornou o nono filme de maior bilheteria de todos os tempos e dois diretores negros puderam levar para casa o Oscar de melhor filme em três anos (12 Anos de EscravidãoMoonlight), os tempos estão mudando – mas a mudança é dolorosa. 

Em Green Book, Tony Lip (Viggo Mortensen), à esquerda, dirige o Dr. Don Shirley (Mahershala Ali), um renomado pianista, em uma turnê pelo sul dos EUA, em 1962. Imagem por: PATTI PERRET 


Os debates se polarizaram: um diretor branco fazendo um filme sobre um sujeito afro-americano no momento atual, pode ser criticado, por mais bem intencionado que seja?  

Sim, mas por quê?

Em parte porque Peter Farrelly, que é branco, não se esforçou o suficiente para encontrar a família do falecido Dr. Don Shirley, o personagem interpretado por Mahershala Ali. Quando o filme saiu, alguns da família de Shirley falaram sobre não serem consultados e alegaram imprecisões. A acusação mais contundente foi que o Dr. Shirley, um renomado pianista em linguagem clássica e de jazz, nunca foi amigo íntimo de Tony Vallelonga, o segurança ítalo-americano que se tornou o motorista do Dr. Shirley em uma turnê pelo sul em 1962. 

Se eles não se tornaram próximos, então toda a base do filme é uma mentira – porque é disso que se trata, dois americanos de origens muito diferentes que se tornam não apenas amigos, mas aliados na luta contra o racismo. 

Seja qual for a verdade dessa amizade, o filme faz o seu trabalho de forma soberba e em uma tela mais ampla. É uma comédia pungente sobre raça e uma dissecação sutil dos efeitos perniciosos do racismo. É mais engraçado e mais inteligente do que parece – o que não quer dizer que seja perfeito. 

Mahershala Ali como o Dr. Don Shirley, um renomado pianista clássico e de jazz. Imagem por: PATTI PERRE/ UNIVERSAL PICTURES

Don Shirley (Ali) é um gay culto e isolado do mundo. Ele vive como um príncipe exilado em um vasto apartamento acima do Carnegie Hall, empoleirado em um trono elaboradamente decorado. Viggo Mortenson é Tony Lip, que perdeu a cabeça e o emprego em um clube de Nova York. O músico precisa de um motorista para uma turnê pelo sul. E aí que enfim eles se transformam nesse “estranho casal” 

Tony come como um porco e Don nunca provou frango frito. Tony é duro e mundano, Shirley é sofisticado e teórico. Quando se trata de uma luta, Tony vai pra cima enquanto o pianista considera as implicações filosóficas.

As performances são excelentes, na parte de trás de um roteiro enxuto. Farrelly trabalhou com Brian Currie e Nick Vallelonga, filho de Tony Lip, em contar a história de seu pai. E sim, teria sido melhor se eles tivessem se incomodado em falar com a família de Don Shirley também. Mas, como Tony poderia ter dito: é o que é. 

Nota: 8/10

levitis

Graduando em Jornalismo, apaixonado por culturas, fotografia, cinema, música e (quase) todas as artes. Em uma constante jornada de descobertas e aprendizados. Vamos juntos!

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