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Ibovespa acelera perdas e cai 2% após notícia de que Sergio Moro pediu demissão; dólar sobe para R$ 5,48

(Getty Images)


SÃO PAULO – Após ficar bastante volátil com notícias envolvendo o remédio Remdesivir, da Gilead Sciences, o Ibovespa passou a cair mais de 2% com a informação do jornal Folha de S. Paulo de que o ministro da Justiça, Sergio Moro, pediu demissão após ser informado pelo presidente Jair Bolsonaro de que pretende trocar a diretoria-geral da Polícia Federal, hoje ocupada por Maurício Valeixo.

Segundo o jornal, Bolsonaro informou o ministro que a mudança deve ocorrer nos próximos dias, o que levou ao pedido de demissão por parte de Moro. Apesar disso, a Folha destaca que o presidente está tentando reverter a situação e que os ministros Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) foram escalados para convencer o ministro a recuar da decisão.

Às 15h (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira registrava queda de 1,82%, aos 79.220 pontos – após chegar a cair 2,4% -, enquanto o dólar comercial avança 1,47%, cotado a R$ 5,4876 na compra e R$ 5,4889 na venda. Já o dólar futuro para maio sobe 0,04%, a R$ 5,466.

Em entrevista para Bloomberg, Jefferson Lima, gerente da mesa de juros e câmbio da CM Capital Markets, afirmou que a notícia do pedido de demissão de Moro pesa porque a impressão que fica no mercado é que estão “perdendo os pilares que dava popularidade para o governo”.

Segundo o G1, Moro, ao ser informado da troca na PF, demonstrou perplexidade uma vez que Valeixo é um nome de sua confiança e foi escolhido pelo próprio Moro. As ameaças de Bolsonaro em trocar a diretoria-geral tem ocorrido desde o ano passado.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe 7 pontos-base, a 3,32%, enquanto o DI para janeiro de 2023 tem alta de 7 pontos, para 4,36%. O contrato para janeiro de 2025 avança 8 pontos-base a 6,04%.

Pouco antes da notícia, o Ibovespa já havia virado para queda com a notícia do Financial Times, citando documentos publicados acidentalmente pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que o antiviral Remdesivir não melhorou a condição dos pacientes nem reduziu o patógeno do coronavírus na corrente sanguínea.

Na semana passada, informações de que a empresa estaria registrando bons resultados em seus testes de tratamento fizeram as ações da Gilead dispararem mais de 15%, puxando também as bolsas.

A notícia fez com que os índices americanos zerassem os ganhos, que momentos antes eram de cerca de 1%. O movimento, porém, foi revertido novamente após a companhia prestar esclarecimentos sobre a notícia.

Em resposta, a Gilead afirmou ao jornal que o documento vazado tinha “caracterizações inadequadas do estudo”. “Os resultados do estudo são inconclusivos, embora as tendências nos dados sugiram um potencial benefício do Remdesivir, principalmente entre pacientes tratados no início da doença”, informou a empresa ao jornal.

Petróleo dispara novamente

Entre as commodities, o petróleo volta a subir forte, com o WTI chegando a saltar 30% com a tensão entre EUA-Irã e com sinais de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) poderão aprofundar o corte na sua produção.

Segundo os analistas do Bradesco BBI, a declaração na véspera do presidente Donaldo Trump, autorizando que a Marinha americana abata navios iranianos, deve “fornecer suporte para os preços do petróleo no curto prazo, já que os mercados esperam alguma potencial escalada de conflitos”.

Também havia otimismo no mercado com a avaliação de que, com os preços do petróleo nas mínimas históricas, os produtores continuarão diminuindo a produção e fechando os poços nos EUA. Os reguladores do estado de Oklahoma disseram que ajudariam os produtores a fechar os poços sem tirar os arrendamentos, o que deu um alívio para eles já que muitos querem diminuir a produção mas correm riscos regulatórios no país caso façam isso.

Enquanto isso, o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos na semana passada foi de 4,427 milhões, levemente abaixo da expectativa mediana dos economistas do mercado financeiro compilada no consenso Bloomberg, que apontava para 4,5 milhões de pedidos. Na semana anterior o resultado tinha sido de 5,245 milhões de pedidos.

Fitch no Brasil e mercado de olho no BC

Nesta quinta, ocorre a abertura da Missão de Avaliação Soberana da Fitch Ratings acontece em reunião entre o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, Shelly Shetty, chefe da Área de Soberanos para América Latina da Fitch, Todd Martinez, diretor na Área de Soberanos da Fitch; Paulo Moreira Marques e André Duarte Veras, representantes da Secretaria do Tesouro Nacional. A reunião acontece por videoconferência fechada à imprensa às 15h. O Banco Central faz leilões de rolagem de swap cambial a partir das 11h30.

O Banco Central também segue no radar após a elevação das apostas em corte da Selic por conta da mudança no discurso do presidente do BC para um tom mais dovish, o que levou o dólar a R$ 5,41. em meio ao carry trade ainda mais reduzido (veja mais clicando aqui). Além do evento com a Fitch, Campos Neto participa de eventos hoje com o BIS e o Morgan Stanley.

Programa Pró-Brasil

O programa Pró-Brasil de reocupação econômica pós-covid-19, lançado na última quarta-feira terá sua implantação começando em larga escala a partir de outubro. O cronograma de elaboração do programa foi apresentado pelo ministro da Casa Civil, general Braga Neto, apesar das divergências da equipe econômica.

O ministro disse que o plano tem apoio do ministro Paulo Guedes. Contudo, o Plano pós-crise expõe diferenças entre Economia e Casa Civil. Segundo o Valor Econômico, Guedes demarcou,em reunião com seus colegas de Esplanada, os limites para o plano de investimento em infraestrutura para promover a recuperação da economia: manutenção e respeito ao teto de gastos e incentivo ao investimento com recursos privados.

Enquanto isso, o governo estuda ampliar garantias para estimular empréstimo a empresa com faturamento de até R$ 300 milhões, segundo o jornal O Globo. A proposta para incentivar auxílio a capital de giro e folha de pagamento é reformular fundo do BNDES.

Já o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados, Salim Mattar, anunciou na quarta-feira o abandono da meta de privatizações e desinvestimentos em 2020 com a mudança de cenário econômico trazida pela pandemia do coronavírus.

Noticiário corporativo

No radar corporativo, a BR Malls retomou a operação de dois dos seus shoppings. A Unidas informou que o seu Conselho aprovou a recompra de até 20,3 milhões em ações. A Totvs aprovou a emissão de R$ 200 milhões em debêntures. CSN, Gerdau, Usiminas têm perspectiva alterada a negativa por S&P.

A Telebras anunciou na noite de ontem que aumentou o seu capital social de R$ 1,54 bilhão para R$ 3,1 bilhões. Segundo a estatal de telecomunicações, foram emitidas 18,1 milhões de novas ações ordinárias e preferenciais. Segundo a empresa, as ações poderão ser comercializadas na B3 a partir de 30 de abril.

Fonte: InfoMoney

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